Divulgarei neste espaço as poesias que escrevo quando a inspiração surge... Leiam, opinem, comentem, essa troca me será de extrema importância. Sejam todos bem-vindos sempre! Agradeço as visitas. Abraço fraterno,

Sergio Loyola

domingo, junho 13, 2010

DORAMUNDO

Daquele tempo tão distante
Lembro da tua juventude exuberante
Teus lindos seios
Cheios
Tua boca e o teu frescor
Tuas formas e a tua dor
Entranhadas em mim
Assim

Hoje,sem dúvida qualquer,
Renasce para a vida,uma mulher
Daquela terra morena
Serena
Livre de culpas e preconceitos
Dona dos seus próprios feitos
De alma nua
Sua

No mais fundo da memória
Para sempre vive nossa estória
Faz parte do meu ego
Não nego
Minha doce e triste recordação
Da ferida aberta de uma paixão
Roda mundo,gira mundo
Doramundo

TEMPESTADE

O vento uiva lá fora
E eu queria ter voce agora
Mas voce está tão distante
Tão longe quanto uma estrela brilhante
Os pingos da chuva de verão
São como lágrimas,que rolam pelo chão
Os trovões desta tempestade
São apenas como urros,de saudade

Como é sábia a Natureza
Que em todo seu esplendor e beleza
Castiga aos amantes
Como se fossem pobres meliantes
Açoitando seus caminhos,
Fazendo-os abandonar os ninhos
E mais tarde,refazem-se os lares
Misturados,todos os pares

Não sei como se pode fazer
Para amar e bem viver
Sem ter no coração
A ferida aberta de uma paixão
Sem ter na consciência
A desilusão de outra experiencia
Que,por destino ou por azar,
Acaba sempre em soluçar

POR QUE ?

Como é dificil a existencia
Neste mundo sem complacencia
Por que nos ensinam inverdades
Quando ainda somos crianças?
Por que não nos dão as facilidades
Para entendermos as mudanças?
Como é dificil viver pelo coração
Buscando paz e compreensão

Por que durante a vida
A alma está sempre a procura
Da co-irmã tão querida
Escondida na noite escura
E a cada amanhecer,as feridas
Que voce não queria ter
Aparecem bem refletidas
Nos olhos do seu bem querer

Por que a vida é tão austera
Por que o viver causa danos
Como se fosse uma fera
A devorar seres humanos
Por que não podemos amar
Nos relacionar simplesmente
Sem ferir e machucar
Vivendo sabiamente

Por que ??

BALADA

Eu te amo corpo,alma,
mente
Te amarei através dos tempos
eternamente
Mais do que voce,amo tua
lembrança
Teu mimo,dengo,beicinho,
criança
Junto a ti,vivo minha
solidão
Que nos teus braços amenizo
sedução
Contigo conheço carícias
plenas
Agarrado ao teu sexo nas noites
serenas

EM ALGUM LUGAR DO PASSADO

Melhor do que ninguém,eu sei
Em tudo que acreditava quando amei
Recordo nossos dias tão felizes
Cheios do mais puro amor
Mas vamos cometendo alguns deslizes
Que os anos transformam em dor

O que era fácil de resolver outrora
Hoje é motivo de se ir embora
E como nos corredores de um labirinto
Vai se perdendo a esperança e a magia
Já não sei mais como me sinto
Eu tinha um tesouro e não sabia

Tento descobrir o lugar certo
Pode ser até que esteja perto
Refaço o caminho a procura
Daquela que sempre foi minha luz
Carregando no peito a intenção mais pura
Buscando o leito que mais me seduz

Contudo,minha busca é em vão
Por entre as vielas do coração
Enfim,vamos levando essa vida bandida
Enfrentando a morte no dia marcado
Trazendo a saudade da amada perdida
Em algum lugar do passado

BOCAINA

Serra encantada
Reduto de ninfas e duendes
Serra desenhada
Pelos caprichos da natureza
Serra desbravada
Pela força das águas ligeiras
Serra alada
No colorido das asas voadoras
Serra enevoada
Pelo ir e vir do vento brando
Serra marcada
Como uma terra de paz
Serra imaculada
Onde o espírito devaneia puro
Serra discriminada
Pelo preconceito de não os ter
Serra desvirginada
Tal qual uma linda jovem
Serra embalada
Pelo doce e triste canto da viola
Serra enamorada
Suspirando pelo rebolar da cabocla nativa
Serra jamais esquecida
Serra tão querida
Tão amada

CABROCHA

Queria desvendar teu sorriso
Pela malícia dos teus olhos rasgados
Dentro de ti,perder o juízo
Para confortar teus sonhos cansados

Queria ser parte do teu gingado
Descobrir tuas dores e cicatrizes
Penetrar no teu rebolado
Até o fundo das tuas raízes

Queria sentir a alegria do povo
Ao te ver sambar na passarela
Pois toda noite é Fevereiro de novo
Com as cores de uma aquarela

Mas se tuas noites são de alegria
Teus dias choram de tristeza
Quando tiras o luxo e a fantasia
Resta apenas a dúvida e a incerteza

Queria derreter o gelo do teu coração
Embalar-te na tua própria dança
Brincar o Carnaval da tua paixão
Fazer serpentinas da tua trança

Porém,tu não levas nada a sério
Vives enganando o verbo amar
Esquecendo que ele tem seu mistério
E o Amor,pode ainda te chegar

RAÇA

És negro como a boca da noite
Na lembrança,as marcas da senzala
Na dor se fecha e se cala
Do feitor,guarda apenas o açoite

Longe da sua terra natal
Sobraram as ladainhas e as tradições
Cultivadas sob o peso dos grilhões
No trabalho árduo do canavial

Zumbi representa seu espírito de luta
Entrincheirado no alto da serra
Ecoou seu brado de guerra
Que até hoje,nos Palmares se escuta

Depois da derrota sangrenta
O negro continua na vil escravidão
Esperando pelo milagre da abolição
Que a Princesa Isabel sacramenta

Veio então a sonhada alforria
As festas,o carnaval e a capoeira
Levantando do solo a poeira
Da dança do samba e da alegria

Hoje vive a dura realidade
Da desgraça da raça condenada
A sobreviver na favela,marginalizada
Esquecida pelo resto da sociedade

Triste sina de um povo
Que com seu sangue derramado
De sua mãe África,afastado
Ajudou a construir um Brasil novo

quinta-feira, junho 10, 2010

MULHER

Eu queria poder compreender
O teu universo de mulher
Talvez assim sem saber
Descobrisse o meu bem-me-quer

Eu queria poder sentir
A magnitude da tua maternidade
Na passarela do teu ir e vir
De uma rua chamada saudade

Eu queria poder avaliar
Toda profundidade do teu orgasmo
Para nele conseguir saciar
A intolerância do meu sarcasmo

Eu queria poder supor
A grandiosidade que esta escondida
No teu mais íntimo amor
Que sobrevive da tua juventude perdida

Eu queria tanta coisa contigo
Que acabo esquecendo um porém
E continuo a pagar meu castigo
Pois não passo de um tolo homem

VIDAS URBANAS

Nas grandes cidades
Habitam as inverdades
As grandes maldades
E lindas beldades

Nas grandes metrópoles
Vivem as mães e suas proles
Os políticos e suas hipérboles
Os gaiteiros e seus foles

Nas imensas aldeias
Tecem os marginais,suas teias
A Polícia e suas caras feias
Os banqueiros e suas bolsas cheias

Nos grandes centros urbanos
Reinam os governantes e seus danos
Os poderosos e seus negócios profanos
Exterminando a nós, seres humanos

ONE WAY

O asfalto frio
Da noite úmida
Corta a cidade nua
Na tua ingênua busca

O hálito quente do motor
Se perde na brisa gélida
Nas esquinas da selva urbana
A procura do teu amor

A madrugada como palco
Para encenar tua vida insana
Por entre cenários sórdidos
Da insensatez do teu drama

O beijo que não foi dado
Por uma palavra mal dita
O câmbio de marchas que pulsa
No ritmo do copo ingerido

O vento calado na tua face
As paralelas que serpenteiam
Dos pneus que deixam marcas
Na carência da tua alma

E amanhã
Mais um Baixo talvez
Desta sociedade pouco amada
Para saciar teu nariz burguês

MARUJO

Eu naveguei pelos sete mares
Ancorando minha solidão nos portos
Bebendo em todos os bares
Pela memória dos meus mortos

Eu abandonei todos os lares
Seguindo os caminhos da minha sina
Desfiz todos os meus pares
Pelo bem da própria rotina

Eu estive em todos os lugares
Vadiando pelo Mundo a fora
Respirei todos os ares
Vivendo hora por hora

Eu tive com meus lares
Os meus próprios pares
Naveguei todos os bares
Bebendo os sete mares

Eu ancorei meus mortos
Por todos os portos
Dos meus caminhos tortos

PIXOTE

Meninos de rua
De almas não tão puras
De genitália nua
Pobres criaturas

Vivem sua desgraça
Nos semáforos da Vida
Filhos da cachaça
Triste sina sofrida

Sobrevivem no abandono
Entre os dedos,a gilete
A marquise é o teto do seu sono
E os chamam,pivete

Seu prazer é cheirar cola
Por pura frustração
Da falta de ir a escola
Para se tornar o futuro da Nação

Retratos de uma realidade
Que o Brasil cultivou
São o câncer da sociedade
Que se auto-flagelou

E quanto mais anos passarem
Pior será com certeza
Nessa terra de ninguém
A ira dos filhos da pobreza

CONSTRUÇÃO

No esqueleto da construção
Ele sonha com a loteria
Por entre as garfadas de comida
Da marmita fria
Pensa em como a vida seria mais fácil
Se ele fosse político
E vivesse em Brasília
Forjando realidades e descendo a rampa
Todavia,o apito da sirene ecoa
E a britadeira está pronta a funcionar
A noite o pega de surpresa
Dentro do trem lotado
Suado e esgotado
E quando a escuridão baixa sobre a favela
Ele esta novamente na birosca
Ingerindo aguardente barata
Na boca da madrugada
Com a sofrida companheira
Ele faz sexo por instinto
Por um instinto animal
Depois devaneia
Rodopiando sua mente
Nas espirais de fumaça do cigarro mata-rato
Ansiando pelo fim do mês
Para o Governo pagar a promessa
Do abono do abandono
E quando chegar o fim do ano
Será condecorado,como disse o patrão
Mais um operário-padrão

terça-feira, junho 08, 2010

DESLIZES

Não existe razão
Não permite perdão
Nem dó ou compaixão
Os assuntos do coração

Traída a confiança
Resta amarga lembrança
Daquela mulher criança
Tênue fio de esperança

Não adianta artifício
A um passo do precipício
O ser amor é sacrifício
Passado o tempo propício

Voce pode chorar
A sua dor aplacar
Tentando pensar
Por onde recomeçar

Restam apenas cicatrizes
Dos dias felizes
Para que amenizes
A culpa dos seus deslizes

BARGANHA

A chuva me deu a vida
Mas me roubou a colheita
O prazer me deu devaneios
Mas me tirou o êxtase

A vida me deu batalhas
Mas me roubou a paz
A morte me deu a lembrança
Mas me tirou as pessoas

A sabedoria me deu conhecimento
Mas me roubou a ingenuidade
A razão me deu equilíbrio
Mas me tirou a sanidade

O destino me deu o acaso
Mas me roubou a certeza
A visão me permitiu enxergar
Mas me tirou o belo

O amor me deu asas
Mas me roubou o Céu
A saudade me deu forças
Mas me tirou o Universo

O QUADRO

Esta mulher sem rosto
Que habita o meu quarto
Toda noite a esperar
Ansiando,ansiosa
A que horas ele vai chegar
Esta mulher sem rosto
Que paira sobre a minha cama
Toda noite a me confortar
Acariciando,carinhosa
A minha alma sofrida
De uma dor no peito
Tão doída
Esta mulher sem rosto
Que me dá as costas
Toda noite sem indagar
Silenciando,silenciosa
A razão do meu pranto
Sem perder seu encanto
Esta mulher sem rosto
Que vela o meu sono
Toda noite a me cuidar
Zelando,zelosa
Do jardim,uma rosa
Cantada em verso e prosa
Esta mulher sem rosto
Que já teve tantas faces
Diferentes formas de amar
Chorando,chorosa
Descansa no meu leito
O seu solitário mais-que-perfeito
Esta mulher sem rosto
Que não me abandona
Sem nunca protestar
Confortando,conformada
Carrega o amor no coração
Bálsamo da minha imperfeição

PENA CAPITAL

Depois que voce se foi
Da minha vida para sempre
Não consigo mais ficar contente
Não consigo mais sorrir
O arco-íris perdeu as cores
A rosa,as pétalas
O beija-flor,as flores
Mas ainda assim,tenho de ir
Aonde o vento me levar
Buscando alguma forma
Do sofrimento aplacar
Tenho de aprender
A lhe esquecer
Tenho de me relacionar
Com a minha própria solidão
A madrugada é companheira
Do coração triste,amargo
A bebida é uma fuga
Um atalho,a cada trago
Te vejo nas espirais
De fumaça do cigarro
Como um belo holograma
De um filme de ficção
A dor do remorso
Me consome inteiro
Voce aprendeu a me esquecer
Ao meu lado
E quando percebi
O amor tinha acabado
Mea culpa,Mea culpa

NOITE FELIZ

As luzes de Natal
Nas janelas dos edifícios
Piscam a minha tristeza
Traduzem a minha dor
Pelo presente que não vou dar
Pela mesa farta
Porém solitária
Por não saber conjugar
O dificil verbo amar
Nesta noite de harmonia
Comemorar a familia
Eu estarei num canto
Chorando o meu pranto
Ansiando para que logo passe
O aniversário do Deus menino
A minha janela está fechada
Não tem meia pendurada
Somente a solidão
Minha eterna companheira
Estará de prontidão
Na porta do meu coração

SORRY

Me desculpe,pelo filho
Que eu não pude ter
Me desculpe,pela mãe
Que eu não fiz por merecer
Me desculpe,pelo marido
Que eu não pude ser
Me desculpe,pelas ofensas
Mesmo sem querer
Me desculpe,pela ausência
De cada amanhecer
Me desculpe,pela dor causada
Mesmo sem saber
Me desculpe,pela casa desfeita
Por fazer voce sofrer
Me desculpe,meu amor
Por não conseguir te esquecer
Me desculpe,minha vida
Por não mais te viver!

QUANTAS ?

Quantas vezes voce
Quis voltar atrás
No tempo
Quantas maneiras voce
Imaginou p"ra recomeçar
Teu relacionamento
Quantas doses voce
Consumiu p"ra lidar
Com sentimento
Quantas noites voce
Perdeu insone p"ra aplacar
A dor
Quantas tentativas voce
Precisou p"ra descobrir a ausencia
De calor
Quantas bocas voce
Provou p"ra não mais ter
O Amor
Quantas carícias voce
Experimentou p"ra não sentir
Tesão
Quantas esquinas voce
Percorreu p"ra encontrar
A solidão
Quantas punhaladas voce
Necessita p"ra matar
Teu coração
Quantas ??

HUMANIMAL

Pobre de nós
Seres humanos
Com nossos atos insanos
Nossos desejos profanos
Nosso ódio e nossos danos
Pobre de nós
Criaturas
Com nossas almas puras
Nossas palavras duras
Nossas carapuças e armaduras
Pobre de nós
Infelizes
Com nossos defeitos e deslizes
Nossos amores e cicatrizes
Nossa saudade dos dias felizes
Pobre de nós
Desvalidos
Com nossos sonhos esquecidos
Nossos heróis pervertidos
Nossa prole,nossos entes queridos
Pobre de nós
Desgraçados
Com nossos destinos marcados
Nossos corações entrelaçados
E nossos passos ceifados